Livraria 18 de Abril

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O tesouro oculto

   

Em determinada parábola, Jesus compara o Reino dos Céus a um tesouro oculto no campo.

Ele afirma que um homem achou e escondeu um tesouro.

Depois, tomado de regozijo, vendeu tudo o que possuía e comprou aquele campo.

A lição é por demais clara: quem tem a ventura de achar o Reino dos Céus não hesita em dispor de todos os seus bens para adquiri-lo.

Esse tesouro é apenas a alma humana, em sua plenitude evolutiva.

Afinal, em outro trecho do Evangelho, Jesus afirma que o Reino dos Céus está dentro de nós.

Ou seja, o Reino dos Céus não é um local no espaço, mas algo que se constrói no íntimo do ser.

Em geral, o homem procura edificar sua felicidade sobre coisas materiais.

Ele entende que ser feliz depende de riqueza, beleza, fama e saúde.

Entretanto, tais bens, conquanto desejáveis, são precários e incertos.

Eles duram, no máximo, uma existência física, que raramente ultrapassa 70 anos.

Ainda assim, um incêndio, uma enchente, uma quebra da bolsa ou alguns poucos micróbios podem fazê-los desaparecer.

Para milhões de criaturas permanece oculto o real tesouro que podem possuir.

Ele consiste nos dons espirituais e nos gozos inefáveis que propiciam.

Tais bens são os únicos valores reais e duradouros, que acompanham para sempre a criatura que deles se apossa.

Trata-se da compaixão, da pureza, da dignidade, do amor ao trabalho, da humildade, dentre outras virtudes cristãs.

A vivência dessas virtudes proporciona paz e ventura em níveis inimagináveis por quem ainda não as desenvolveu.

Elas representam o tesouro que nenhum ladrão pode roubar.

A ventura que propiciam não depende de elementos externos.

Há o exemplo notório dos mártires dos primeiros tempos do Cristianismo.

Eles afrontaram as feras no circo com o semblante luminoso e entoando hinos de louvor.

Ao contrário do que talvez pense o homem mundano, não se tratava de fanatismo.

Eram apenas criaturas que sabiam das realidades espirituais.

Ante a glória da espiritualidade que se avizinhava, os prazeres terrenos nada representavam.

Por isso, não hesitaram em sacrificar a própria vida em defesa do ideal que esposavam.

Tal é o sentido da parábola, quando diz que o homem se desfez de tudo para adquirir o campo onde o tesouro estava.

Não se cuida de menosprezar os bens terrenos, mas de entendê-los meros instrumentos de construção do bem real.

De nada vale enriquecer à custa de indignidades.

Ao contrário, se para viver de forma honrosa e solidária for necessário empobrecer ou fazer sacrifícios, vale a pena.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita com base no cap. IV do livro Parábolas evangélicas, de Rodolfo Calligaris, ed. Feb.