Livraria 18 de Abril

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Os dois pedidos

   

O menino não ainda não tinha dez anos.

Seus cabelos claros cobriam-lhe a testa displicentemente.

Seus olhos tinham uma expressão de viva curiosidade.

Aproximou-se da mãe e, sem cerimônia, questionou-a: "mamãe, o que você quer que eu seja quando crescer?"

A mãe deixou os afazeres de lado e olhou demoradamente o pequeno.

"Por que a pergunta, meu bem?" - devolveu o questionamento ao garoto.

"Ah, mamãe!", disse suspirando, "hoje, na escola, meu amigo me disse que ele vai ser médico porque seu avô é médico e seu pai também. Então, fiquei pensando nisso.

O que você e o papai querem que eu seja?"

O rostinho do menino tinha um traço de apreensão.

"Meu querido, disse ela abraçando o garoto, "eu tenho apenas dois pedidos para lhe fazer. Quero que você seja correto e que seja feliz."

Beijou suavemente a testa do filho que, insatisfeito com a resposta, afastou-se para poder fitar a mãe diretamente.

"Não, mamãe! Qual profissão você quer que eu tenha quando crescer?" - voltou à tona achando que não havia sido compreendido.

"A escolha da sua profissão, meu filho, cabe apenas a você. Isso não me compete, tampouco me causa maiores preocupações. O que eu quero de você é outra coisa. Ou melhor, como eu lhe disse, tenho apenas dois pedidos a lhe fazer. Vou repeti-los e explicá-los.

Quero que você seja correto.

Isso significa que espero que você escolha o caminho do bem sempre, mesmo que ele seja mais longo ou mais difícil.

Que pense nas conseqüências dos seus atos, para você e também para os outros.

Que não tema a verdade, nem a justiça.

Ao contrário, que as busque sempre com serenidade e persistência.

O segundo pedido, que é tão importante quanto o primeiro, é que você seja feliz.

Isso quer dizer que espero que, apesar das dificuldades da vida, você tenha sempre confiança em deus.

Que acredite na justiça divina e que jamais se entregue ao sofrimento.

Que você tenha o coração cheio de amor e de coragem para seguir em frente, sempre."

A mãe acariciou o menino, afagando-lhe os cabelos com doçura e concluiu: "para mim, meu filho, o que interessa é como você vai ser e não o título que vai carregar."

Pense nisso!

Por vezes, sentimo-nos tentados a buscar realizar nossos sonhos frustrados por meio de nossos filhos.

Induzimos nossos jovens a concretizar ideais de vida que não são os deles.

Fazemos que eles busquem objetivos que, na verdade, eram nossos.

Por mais promissoras que sejam algumas carreiras e profissões, não cabe a nós, pais, escolher os caminhos que nossos filhos trilharão.

Nosso dever é prepará-los para que sejam homens e mulheres de bem.

Altos salários e títulos de honra nada são se a alma permanece atormentada pela tarefa não cumprida e pelo compromisso abandonado.

Se queremos que eles sejam realmente felizes, cabe-nos orientá-los para que busquem a senda da retidão moral. Somente assim nossos amores serão capazes de alcançar a felicidade possível neste mundo.

Pensemos nisso.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.