Livraria 18 de Abril

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Rogativa do culpado

   

Caro amigo:

Desejo pedir-te perdão pelo mal que te fiz.

Infelizmente, naquela ocasião, eu me encontrava infeliz, inimizado comigo mesmo, sem a capacidade de discernir entre o bem e o mal - o que deveria e o que não me era lícito fazer.

Reconheço hoje que te magoei com a minha insolência e desequilíbrio, proporcionando-te sofrimentos desnecessários.

Aprendi a lição da dignidade, após atravessar os caminhos sombrios do remorso, procurando expiar a culpa, tentando reabilitar-me através das boas ações, a fim de encorajar-me a pedir-te perdão.

Reconheço que é mais infeliz aquele que acusa indevidamente, aquele que comete o erro de ofender o outro do que a sua vítima.

Quando o ofendido supera a situação deplorável, ascende no rumo da iluminação, enquanto o seu adversário mergulha no abismo do desequilíbrio, assinalado pela culpa de que não se consegue libertar.

Apiada-te, portanto, de mim, conforme hoje dou-me conta da própria inferioridade.

Sei que não te será fácil compreender tudo quanto sinto e gostaria de dizer-te...

Segue, portanto, a tua portentosa jornada, olhando para trás e distendendo a mão para mim, em socorro, que me encontro na retaguarda.

Desejo, porém, que saibas quanto estou feliz por poder haver chegado a esta conclusão, a este momento, conseguindo dizer-te, embora em poucas palavras, o que me vai na alma, reabilitando-me, pelo menos um pouco, do mal que te fiz.

* * *

Pedir perdão é vencer uma grande batalha dentro de nós.

Pedir perdão é vencer o orgulho que sempre, através das eras, foi vencedor em nossa intimidade imperfeita e desequilibrada.

Pedir perdão, de coração, o perdão verdadeiro, é grande passo na conquista do acerto final e completo com as Leis Divinas.

Há humildade em tal pedido, e também sabedoria.

Baixar a fronte. Reconhecer-se imperfeito, porém perfectível, mutável.

Se pedíssemos perdão mais vezes, certamente seríamos mais felizes.

O pedido de perdão verdadeiro faz-nos mais fortes, porque junto dele vem o reconhecimento do erro, e a autoproposta de não mais errar.

No pedido de perdão vem o desejo do bem ao outro - desejo exatamente oposto àquele que gerou toda situação desastrosa entre as suas almas.

Por carregar tal aspiração, representa grande vitória do bem contra o mal.

* * *

Ao reconhecer nossos erros, não esqueçamos de pedir perdão.

Procuremos o outro e, de alguma forma, demonstremos que estamos cientes do erro, e que agora lhe desejamos bem, e não mal.

Não esperemos contrapartida. A vitória de quem sabe pedir perdão está dentro de si mesmo, e não depende de aceitação da outra parte.

Reconhecer o erro; pedir perdão; não errar mais; ressarcir a Lei - eis o caminho da felicidade.

Redação do Momento Espírita com base no cap. 41, do livro O amor como solução, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, ed. Leal.