Livraria 18 de Abril

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Herança trágica

   

Os dias dourados dos tempos de namoro do jovem casal, de forma alguma deixavam adivinhar o que o futuro lhes reservava.

Os planos de felicidade feitos entre trocas de carinho e muita descontração, davam mostra de amor recíproco.

O tempo de noivado foi longo o suficiente para tratar dos detalhes da nova etapa de convívio a dois, do número de filhos que desejavam ter, dos objetivos da nova família que estava se formando.

Depois do casamento veio a viagem de núpcias.

Um tempo a sós. Muito diálogo regado a beijos e carícias.

Os primeiros meses do casal em seu novo lar eram repletos de alegria e muitos planos e promessas de fidelidade e companheirismo.

Os anos passaram e os compromissos profissionais de cada um começaram a impedir os diálogos, antes tão freqüentes.

Quando a esposa lembrava dos filhos planejados outrora, o marido dava desculpas e inventava motivos para que esperassem um pouco mais de tempo.

Um dia ele alegava o custo de vida alto. Como poderiam arcar com as despesas que um filho traria, esquecidos de que, se seus pais tivessem pensado assim, não teriam nascido.

Outra vez era a carreira profissional da esposa, que o nascimento de um filho viria atrapalhar.

E assim foram passando os anos...

O marido começou a chegar tarde da noite em casa, desculpando-se com a esposa, alegando excesso de trabalho...

Ela sentia-se só, lembrava que os filhos poderiam lhe fazer companhia, mas as desculpas logo surgiam...

Um dia, o marido sentiu um mal-estar e ela sugeriu que consultasse um médico. Ele atendeu.

Retornou do consultório um tanto calado, dizendo à esposa que o médico havia solicitado vários exames.

Desprezou a companhia da esposa quando foi levar ao médico os resultados.

Com o passar dos dias estava cada vez mais calado, depressivo.

A esposa, preocupada, queria saber o que estava acontecendo, mas ele dava respostas evasivas, dizendo que estava tudo bem...

A enfermidade se agravou, ele foi internado às pressas...

Os dias dourados de outros tempos, agora estavam cobertos com nuvens escuras e deprimentes...

As esperanças e os planos caíam no vazio...

...Um dia, a terrível notícia até então não revelada à esposa dedicada: a doença do esposo era aids.

Os olhos marejados de pranto não vislumbravam nada mais além...

Via seus sonhos de felicidade se desfazendo, um a um...

Os dias e noites ao lado do esposo agonizante, eram tristes e amargurados, mas ela não o abandonou...

Por fim, numa manhã cinzenta ele deu o último suspiro e ela experimentou a amargura da viuvez precoce...

As horas passavam como se fossem puxadas à força...

A solidão, as lembranças, os sonhos soterrados...

Um dia ela sentiu um mal-estar diferente, buscou um médico e ele lhe pediu vários exames...

Em seguida, a resposta: recebera do marido a trágica herança...

***

A fidelidade é um tesouro muito desprezado nos dias atuais.

E a infidelidade é um veneno que tem devastado lares e dilacerado corações.

Se você deseja construir a sua felicidade verdadeira, busque apoiá-la nos pilares indestrutíveis da fidelidade e da confiança mútua.

(Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita)