Livraria 18 de Abril

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Nossa hora

   

Era um dia como outro qualquer. As malas do casal já estavam prontas desde o dia anterior. Despediram-se do único filho e saíram em viagem para participar das festividades do casamento de uma sobrinha, que residia em estado vizinho ao nosso.

Tão logo se distanciaram do lar, a esposa pediu ao marido que retornasse, pois gostaria de despedir-se do filho. O marido a fez lembrar que já o haviam feito, mas ela insistiu.

Aquela mãe sentia que não voltaria a rever o filho amado, nem iria estreitá-lo num abraço apertado na presente existência. Sentia que aquela viagem era definitiva. De alguma forma ela pressentia isso.

O marido, um tanto contrariado, atendeu ao pedido da esposa e voltou. O filho, ao vê-los, pensou que se haviam esquecido de algo. Mas a mãe logo o envolveu num suave abraço maternal, como a dizer-lhe adeus. Como quem se despede sem saber quando voltariam a reencontrar-se novamente.

Seguiram viagem, participaram das festividades, reviram os parentes, e por fim, o retorno. Antes porém, a esposa pediu ao marido que fizesse uma prece, ao que ele respondeu que já havia orado. Que o fato de não abraçarem a mesma religião não o fazia menos crente em Deus.

Ao longo da viagem, por várias vezes estiveram na iminência de um acidente, mas conseguiram sair ilesos.

No entanto, quando a ordem vem do Alto, nada, nem ninguém pode impedir.

Mais um perigo, e dessa vez foi impossível evitar... A esposa ficou entre as ferragens do veículo, e o marido sofreu apenas pequenos arranhões.

Aquela mãe e esposa pressentia que já era hora de fechar a mala e retornar à Pátria espiritual.

Alguns meses depois de sua partida, um médium espírita amigo da família, que a conhecera ainda no corpo, trouxe a notícia de que a havia visto no mundo espiritual, que ela estava bem, e feliz por ter deixado na Terra 2 homens: o marido e o filho.

Feliz não por tê-los deixado, mas por tê-los deixado bem. O filho já moço e o marido bem orientado. Cumprira a sua missão de esposa e mãe.

* * *

Fatos como esse acontecem diariamente. Uns voltam à Pátria espiritual pelas portas do túmulo e outros tantos chegam pelas portas do berço.

Mas a questão é se estamos preparados, ou se preparamos os nossos entes caros para quando chegar a nossa hora. Que ela chegará, não nos resta dúvida, mas quando chegará não sabemos.

É importante que vivamos sempre em harmonia com nossos afetos, para que o remorso não nos dilacere a alma, depois da partida.

É preciso que deixemos as nossas coisas sempre em ordem, não esperando a morte, mas com previdência, para que em chegando a nossa hora, não deixemos os nossos em situações difíceis.

Será que nós, que temos filhos, temos procurado edificar suas vidas de forma que quando não tiverem mais a nossa presença saibam tomar decisões acertadas? Ou será que os mantemos em total dependência nossa?

Pensemos nessas e noutras questões, e sejamos de fato previdentes. Deixemos a nossa mala sempre arrumada para quando chegar a nossa hora, a fim de que evitemos dissabores mais tarde.

* * *

A preocupação com os afetos que ficaram é uma das causas de sofrimento para o Espírito desencarnado.

A maioria dos que partem diariamente, nunca se preocupou em deixar em dia seus negócios, papéis e as relações de afeto. Por isso sofrem quando se dão conta de que é tarde demais.

Muitos dariam tudo que lhes fosse possível, pela oportunidade de algumas palavras com os entes caros, com intuito de alertá-los para a realidade que a todos nos aguarda após a aduana do túmulo.

Acontece como na Parábola de Lázaro e o Rico, narrada nos Evangelhos. O rico, deparando-se com a realidade após a morte, queria voltar para falar aos familiares para que mudassem o rumo de suas vidas.

Mas o Espírito de Abraão disse-lhe que ele tivera tempo para isso, e que seus familiares tinham os Profetas, que os ouvissem portanto.

Redação do Momento Espírita.