Livraria 18 de Abril

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O mais importante (II)

   

Conta-se que, certa vez, o imperador D. Pedro II recebeu uma carta de seus admiradores, que dizia que eles haviam decidido abrir uma lista a fim de angariar fundos suficientes para erigir uma estátua ao imperador.

D. Pedro leu com vagar a missiva.

Depois, redigiu a resposta aos promotores do movimento, pedindo-lhes que aplicassem o produto da lista na instalação de escolas para o povo.

Entre outros apontamentos, escreveu:

"Senhores, sabem como sempre tenho falado no sentido de cuidarmos seriamente da educação pública."

"Nada me agradaria tanto como ver a nova era de paz, firmada sobre o conceito da dignidade dos brasileiros, começar por um grande ato de iniciativa deles a bem da educação pública."

"Agradecemos a idéia que tiveram da estátua."

"Estou certo de que não serei forçado a recusá-la."

Utilizar bem os recursos amoedados é demonstração de sabedoria.

Empreender campanhas em prol desta ou daquela causa também.

Sempre que nos prestarmos a arrecadar fundos, a colaborar para o bem geral, pensemos no que é mais apropriado.

Verifiquemos quais as necessidades da localidade onde vivemos, e nos perguntemos: o que é mais importante?

Se o local está detritos nas ruas, compete-nos lutar por uma coleta de lixo e pela educação dos moradores para que coloquem em dias certos, em locais apropriados, bem acondicionado todo o lixo, a fim de ser recolhido.

Se a localidade onde residimos não dispõe de socorro médico, cabe-nos incentivar a instalação de um ambulatório, um posto médico, um pequeno hospital. Ao menos, para atender as situações de emergência, os casos mais críticos, porque perder minutos no atendimento pode significar a morte.

Se observamos a criançada andando solta pelas ruas, rapidamente comecemos uma campanha pela instalação de uma escola.

Se a escola existe, verifiquemos se não está deficitária.

Se não estará necessitando de recursos materiais e humanos para poder atender a um maior número de crianças.

Disponhamo-nos a ser voluntários nas horas da semana que nos sobram e auxiliemos a escola.

Verifiquemos, pessoalmente, o que de mais ela precisa mais e lutemos para conseguir.

Se nos preocuparmos hoje com a criança, instruindo-a, educando-a, amanhã, com certeza, teremos menos criminosos para punir.

***

Dinheiro não é fator absoluto de felicidade, mas pode concretizar a felicidade de muitos.

Pode se transformar no remédio ao doente, na gota de leite à criança faminta, no teto ao velhinho sem família ou em abandono.

Pouco dinheiro pode comprar um pão, muito dinheiro pode abrir um negócio que empregue vários pais de família, a fim de que muitas crianças tenham pão à mesa. E não somente pão, mas também frutas, verduras e uns docinhos extras.

Assim, toda a vez que o dinheiro circular por suas mãos ou você se sentir motivado a realizar campanhas, pense sempre no mais necessário.

Vá além e realize o melhor.

Equipe de Redação do Momento a partir de texto extraído da obra de Walter José Faé, Chico Xavier, D. Pedro I e o Brasil, ed. Correio Fraterno do ABC (SP), denominado Pedro II e a Instrução.