Nossas almas são borboletas
A psiquiatra suíça Elizabeth Klüber Ross especializou-se no tratamento de pacientes terminais. Passou mais de 30 anos no trato de pessoas na iminência do processo de morte do corpo físico.
Em suas experiências, ela percebeu que crianças portadoras de doenças graves e terminais não apresentavam nenhum tipo de receio da morte, porém, tinham verdadeiro horror de serem enterradas.
Tinham em suas mentes as lembranças dos enterros de que já haviam participado, de algum avô ou outro parente próximo e sentiam medo de ter seus corpos fechados em uma caixa e enterrados, sem a possibilidade de respirar e se movimentar.
Mas ao perguntar-lhes sobre a morte, viam-na com verdadeira naturalidade, sem nenhum tipo de medo.
Assim são as crianças: conseguem ensinar-nos que os processos da vida são naturais e, por conseguinte, não há por que ter medo.
Elas falavam do medo de serem enterradas, do momento do funeral, não conseguindo dissociar morte e enterro, confundindo-se entre aquilo que sobrevivia e o que verdadeiramente acabava, no momento da morte.
Conta-se que, quando as tropas aliadas invadiram os campos de concentração na Alemanha e Polônia, encontraram algo que lhes chamou a atenção, nos barracões designados às crianças.
Nesses diferentes campos de concentração havia, por todas as paredes, nos barracões onde essas crianças passaram sua última noite, desenhos de borboletas.
Eram desenhos arranhados à unha, feitos com pedras ou pedaços de tijolos.
Essas crianças, em meio à miséria, fome e dor, apartados de seus afetos, conseguem nos dar a explicação maior da vida.
As borboletas que desenhavam era aquilo que intuitivamente percebiam ser a morte: a liberdade de um casulo pesado.
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Ao morrer, somos todos borboletas a sair de seu próprio casulo, para conseguir alçar voos maiores.
No enterro, apenas o casulo permanece encerrado no cofre fúnebre enquanto a alma, a borboleta, tem a possibilidade de, liberada, alçar voos em céus de liberdade e de felicidade.
Quando entendermos a morte como processo de libertação do casulo e que a vida continua pujante e real, ela deixará de ser momento de conclusão da vida, como muitos pensamos, para ser momento de transformação, de continuidade em diferente etapa.
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Ao deparar-nos com a morte de alguém que amamos, lembremos que o corpo que vemos é apenas o casulo que lhe foi emprestado, para as experiências necessárias.
E pensemos na borboleta que se liberta, para poder alçar voos, sob os desígnios amorosos de Deus.
Redação do site de origem.
Comentários
Deise Rodrigues Contessotto
É maravilhosa essa explicação, fica-se tranquila sabendo
que tudo já está programado, deixamos o casulo e alçamos
vôos mais altos livres, é linda a explicação, fácil de
explicar aos nossos entes queridos principalmente quando
somos muito amados pelos filhos e netos e temos que prepará-los para esse ditoso dia da nossa libertação.
Eu sempre converso com meus queridos sobre essa passagem,
Agora vou dar essa explicação, creio que vai ser bom pra eles saber que \"Nossas almas são borboletas\" pelo que eu os conheço, todas as vezes que virem uma borboleta vão olhar com carinho imaginando ser um anjo de luz, obrigada pela mensagem.
cristiane
como é dificil a separação de um ente querido, mesmo sabendo que ele se libertou do seu casulo pesado de angustia e sofrimento.